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Pamela Mayala Ribeiro Lopesoi@abruxapreta.com
Desamarração é quando você percebe que continua presa a coisas que já não estão mais ali. Uma relação que acabou, mas ainda manda no seu corpo. Uma história antiga que segue ditando suas escolhas. Um medo que virou rotina.

Não tem nada de místico nisso. É bem concreto. Está no jeito que você reage antes de pensar. No cansaço que aparece sempre no mesmo lugar. Na sensação de estar repetindo a mesma cena com pessoas diferentes.

Desamarrar é olhar para esses nós sem fingir que não doem. É admitir que, em algum momento, se adaptar foi necessário. Você cedeu, segurou, silenciou porque era o que dava para fazer. Não foi fraqueza. Foi sobrevivência.

O problema começa quando essa estratégia vira identidade.

A desamarração não apaga sentimentos. Você pode continuar amando, lembrando, sentindo raiva ou saudade. A diferença é que isso para de te governar sem aviso. Você volta a escolher, mesmo com ambivalência, mesmo com medo.

Quando uma amarra solta, algo simples muda. Você demora menos para perceber quando está ultrapassando um limite. Você não precisa explicar tanto. Você não se abandona tão rápido.

Às vezes, não vem alívio imediato. Vem um vazio estranho. Porque aquilo que te segurava também te organizava. E aprender a ficar sem o nó é parte do processo.

Desamarração é isso.
Parar de se manter presa por costume.
E dar tempo para o corpo aprender outro jeito de existir.